quarta-feira, 31 de outubro de 2007

As primeiras expedições e a fundação de Goiás


Os primeiros contatos entre índios e brancos se deu no século XVI. A expedição mais antiga que se tem notícia é a de Domingos Luis Grou e Antônio Macedo, em 1590-93. Depois tivemos a de Sebastião Marinho que, em 1592, esteve pela região das nascentes do Tocantins. Muitas outras vieram depois. Do sul vieram os bandeirantes e do norte os jesuítas. Ambos investiram na futura capitania para a evangelização, captura de indígenas, para a escravidão, e para descobertas de riquezas minerais, porém nenhuma delas se fixou na região fundando povoações. Também vieram para Goiás, antes de sua fundação, pecuaristas da Bahia que usavam os campos naturais do alto do planalto durante o período chuvoso para a engorda do gado, construindo algumas fazendas, mas não povoamentos.

Isto somente se deu através dos bandeirantes paulistas. Tendo perdido a guerra dos emboabas, em Minas Gerais, viram-se impelidos a se estabelecerem em regiões do Triangulo Mineiro. Dalí, Goiás ficou um pulinho para os sertanistas experientes. Marcando a história de Goiás, temos o famigerado Anhangüera. Em 1682, Bartolomeu Bueno da Silva, empreendeu uma bandeira até o Rio Araguaia. Na volta, ao passar pelo Rio Vermelho, fez contato com uma tribo de indigena, os Goyá. Vendo as mulheres enfeitadas com pequenas lascas de ouro, usou do sequinte estratagema para obrigá-los contar onde acharam tal ouro: ateou fogo em aguardente na cuia e com a ameaça do pau-de-fogo (espingardas) ameaçou de pôr fogo nas águas e nas matas, caso não contassem o local da mina. Deste modo, descobriu o ouro e ganhou a alcunha de Anhaguera que em tupi significa o diabo-velho, o espírito malígno.

Por volta de 1720, seu filho, Bartolomeu Bueno da Silva Filho, que também herdou a alcunha de anhagüera e sabia dos locais das minas de ouro do sertão dos índios Goyás, resolveu propor um negócio ao Governador de São Paulo, o Conde de Sarzedas, uma vez que a região fazia parte desta capitania. Ele, o Anhagüera, entregaria o local das minas com a condição que lhe fosse dado o direito sobre as passagens dos rios da futura capitania, uma espécie de taxa de pedágio, para ele e três futuras gerações e, também, a sua superintendência. O acordo foi feito sob a condição de que trouxessem para a exploração e administração das minas, portugueses, tendo em vista que a Corôa não confiava nos paulistas. Assim feito, deixou o Anhagüera, São Paulo, em 1722, capitaneando uma bandeira composta quase que exclusivamente por portugueses [veja o relato de Silva Braga]. Vagou esta bandeira, sob protestos revoltados dos portugueses, por longos três anos, demarcando o futuro território goiano. Voltou, Anhagüera, à São Paulo, para dar notícias, no ano de 1725 e retounou numa segunda bandeira em 1726, estabelecendo-se no Arraial da Barra, o primeiro arraial goiano. De lá, despachou os portugueses para um local chamado Meia Ponte, guiados por seu companheiro Urbano do Couto Menezes. Tal grupo fundou em 1727 as Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, que passaria, em 1890, a se chamar Pirenópolis.

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