quinta-feira, 17 de junho de 2010

Feitas de Pau e Barro


A arquitetura colonial

A cidade iniciou-se com pequenos ranchos na beira do rio de forma bastante irregular. Com a distribuição das datas auríferas, casas maiores foram sendo construídas de modo que as residências dos senhores foram edificadas numa parte alta, mais afastada do rio, por ser mais salubre e livre de insetos, e a dos escravos na parte baixa. Uma das primeiras ruas é a Rua Direita, antigamente conhecida como Rua das Bestas. É nela que estão, ainda hoje, as maiores e mais antigas casas do século XVIII. Estas casas antigas eram construídas da seguinte maneira: Primeiro fincava-se no chão os esteios de madeira; Depois ligava-se os esteios com vigas horizontais. O baldrame é uma destas vigas, é ela que apóia o assoalho, portas e janelas, e hoje a sua existência é um indicador de originalidade e de poucas alterações; Após isso estruturava-se a casa com as colunas verticais das portas e janelas, que vão de alto a baixo, de viga a baldrame, e é outro indicador de originalidade, que é percebida pelas irregularidades dos rebocos acima e abaixo dos batentes, como as trincas; Após, construía-se os telhados com telhas de barros, conhecidas como telhas-coxas, por ter a forma de uma coxa humana e muitas serem mesmo moldadas sobre estas. Daí vêm o ditado: “feito nas coxas”, pois não há um padrão e é uma de cada jeito. Por fim, após o telhado ter sido feito, faziam-se o assoalho e as paredes, preenchendo os vãos com adobe, nas paredes externas, e com pau-a-pique, a taipa-de-sopapo, nas paredes internas. Ferros só eram usados nos cravos para pregar as tábuas do assoalho e nas trancas e dobradiças. Não havia vidros, nem rótulas ou guilhotinas. Um dos poucos detalhes artísticos eram os lambrequins, madeira talhada que decora a borda fronteiriça do telhado. De resto, as casas coloniais de Pirenópolis eram construções simples e rústicas, de madeira e barro.

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